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Rafael Barifouse, repórter de Época NEGÓCIOS, traz
aqui as últimas novidades do mundo da tecnologia e da internet
e suas repercussões na blogosfera.
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O pesadelo sem fim da Microsoft
Há menos de um ano do seu afastamento do comando da Microsoft, Bill Gates está passando por tempos difíceis. Nas últimas semanas, a sua empresa tem sido alvo de ataques sucessivos de todos os lados. O golpe mais duro veio ontem com a condenação em uma das mais altas cortes da União Européia pela acusação de práticas desleais e monopolistas. Isso pouco tempo depois do padrão aberto para documentos usado no Office 2007, o Open XML, criado pela companhia ser rejeitado pela Organização Internacional de Padronização (OIP). Hoje, mais uma porrada. A IBM lançou o Lotus Simphony, pacote de programas para desktop criado para concorrer diretamente com o Office de Gates. O pesadelo não parece ter fim.
A mão suprema da empresa sobre o universo da informática não é novidade. O Windows é o sistema operacional absoluto do mercado, assim como o Office no quesito aplicativos para desktop. A Justiça americana já tentou dividir a empresa para acabar com a farra, mas o seu time de advogados conseguiu que ela saísse ilesa. Ontem, a história foi diferente.
A Justiça européia condenou a Microsoft por negar à concorrência acesso aos códigos dos seus principais programas e por oferecer quase de graça o Windows Media Player. A empresa foi multada em 780 bilhões de euros - soma de multas de 2005 e 2006 - e terá de pagar mais um milhão de euros por dia se não mudar seu comportamento. E provavelmente mais um bilhão por não ter mudado até agora. Mas o pior ainda porde estar por vir, já que esta decisão certamente influenciará outras ações em curso nos países europeus.
Como se não bastasse a rejeição do padrão aberto de documentos pela OIP, agora a concorrência se acirra. Lançado hoje, o Lotus Symphony da IBM estará disponível para ser baixado gratuitamente a partir de amanhã. O pacote de programas faz parte da iniciativa do consórcio OpenOffice.org, que tenta viabilizar uma alternativa de código aberto para o Word e cia. Com a entrada da IBM no consórcio na semana passada e o lançamento do Lotus esta semana, a iniciativa ganha força graças a enorme lista de clientes corporativos da empresa.
A IBM se vangloria de trazer uma solução completa de tecnologia da informação e, agora, o Lotus vai integrar os seus produtos e barrar a entrada do Office nos escritórios. Afinal de contas, se você tem uma empresa de tal porte oferecendo um equivalente do Office com uma certa garantia de qualidade, por que pagar para ter o pacote da Microsoft?
Aliás, a IBM parece ter decidido bater de frente com a Microsoft sempre que possível. A empresa já havia endossado o uso nos seus data certers do Linux, sistema operacional de código aberto. Agora, não só ataca com o Lotus, como combate a adoção do Open XML pela OIP, com o apoio da Sun, Google e Oracle. Briga de pesos pesados. Com certeza tem uma ponta de ressentimento por ter perdido a guerra dos sistemas operacionais na década de 90, com uma vitória retumbante do Windows frente o seu OS/X. A IBM quer combater um monstro que ajudou a criar nos anos 80. Na época, convocou a empresa de Bill Gates, ainda uma firma com só 32 funcionários, para desenvolver os sistemas operacionais de seus computadores pessoais.
Aliás, o Google também ataca com a inclusão de um programa para a criação de apresentações multimídia como o PowerPoint no seu pacote de programas gratuitos chamado Google Apps.
Não sou defensor da Microsoft. A empresa construiu um monopólio por métodos eticamente questionáveis e agora é a hora de pagar o preço. Entramos de vez na era do compartilhamento de informações, dos programas de computador de código aberto e da inovação colaborativa. São novos tempos e a companhia de Bill Gates vai precisar se adaptar. Mas, caso tenha deixado esta impressão, também não coloco IBM e Google em um pedestal. Enquanto a IBM já se desvencilhou há tempo do seu legado proprietário e monopolista e pode agora se beneficiar disso, o Google ainda tenta construir um legado sem os vícios das gigantes do século passado. Porém, são claramente mpresas mais antenadas com o agora e esse é um mérito a ser levado em conta. |
18/09/2007 |
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Google Bomb neles!
Ah, a internet e suas reações curiosas. Foi-se o tempo em que se podia protestar apenas nas ruas com cartazes e faixas. Na era digital, protestar significa usar o Google como arma. Em reação à absolvição de Renan Calheiros, presidente do Senado, uma campanha iniciada pelo blogueiro Rodrigo Stulzer, do Empirical Empire, está ganhando força. No dia 12, ele fez um post pedindo para que seus leitores registrassem links no buscador para o site do Senado usando como referência a expressão "vergonha nacional". No dia seguinte, Daniel Bender, do Bender Blog, fez o mesmo. Não é que deu resultado? Basta ir na página principal e fazer a busca com este termo que o primeiro resultado é justamente o site do Senado como você pode ver na imagem abaixo.

Segundo o Sim, Viral, a campanha arrebatou nada menos do 3.900 blogs. Chamada de Google Bombing, a prática não é nova. Já foi usada em 2005 para que o primeiro resultado da busca com o termo "miserable failure" (falha deprimente em inglês) fosse uma página da Casa Branca sobre o presidente George Bush. Funciona porque o Google usa em suas buscas um critério chamado PageRank, baseado em um algoritmo. Uma pontuação é atribuída à uma página de acordo com a quantidade e a qualidade dos links (quão importante é a página que indica) que apontem para ela. Quanto mais links existirem apontando para uma página maior é seu grau de importância no Google. No final das contas, o PageRank indica que a comunidade da Web (por meio de links) elegeu aquela página como de maior relevância o assunto pesquisado.
No início do ano, o Google reformulou seu algorítmo para desfazer a bomba a Bush. Mas o nosso presidente ainda não teve essa sorte. Se você buscar pela expressão "o maior mentiroso do mundo", o primeiro resultado é o verbete de Lula na Wikipédia.
Sei que não é uma prática muito efetiva, pelo menos não tanto quanto ir para a rua gritar de revolta (pode me chamar de antiquado), mas admito que dá uma aplacada na sensação de impotência e impunidade. E, de quebra, dá para dar umas risadas para aliviar a tensão.
Quem seria o seu alvo de um google bombing? Já tenho a minha lista aqui prontinha, mas queria saber quem ou o quê está na de vocês. |
17/09/2007 |
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