O Open Social vem a público cinco meses depois do Facebook se abrir para desenvolvedores independentes de softwares e criarem milhares de gadgets para a rede social, um dos principais motivos apontados pelo mercado para a explosão de sua audiência. A novidade também foi vista como um contra-ataque do Google ao anúncio do acordo entre o Facebook e a Microsoft anunciado no início da semana. Mas segundo Joe Kraus, gerente de produtos de negócios da empresa, o anúncio feito hoje não tem relação com a nova parceria. "Já planejávamos isso há tempos. Cinco meses não é muito tempo, já que não queríamos fazer algo restrito ao Google e reunir tantas pessoas em torno de um projeto requer tempo", disse Kraus em relação Às 12 redes que participam do OpenSocial até o momento e reúnem mais de 100 milhões de pessoas.
O próprio Facebook, com 49 milhões de mebros, e o MySpace, com 110 milhões, ficaram de fora do projeto - até agora, já que o próprio Techcrunch diz que o MySpace vai entrar em breve. Kraus preferiu não comentar se algum contato havia sido feito com as duas redes socias. "Mas estamos abertos para toda e qualquer rede social que queira fazer parte do OpenSocial", afirmou.
Não há previsão para que as novas aplicações cheguem ao público. A idéia é que eles sejam testados dentro do site criado para estes desenvolvedores até que estejam prontos para chegar ao mercado. Caberá a cada rede social determinar como será o processo de inclusão das novidades. O Orkut, segundo o Google, permitirá acesso livre a estes programas e, em caso de ilegalidades ou desrespeito às normas estabelecidas no OpenSocial, poderão ser retiradas do ar. Também caberá a cada rede definir como os desenvolvedores ganharão dinheiro com as suas crições. No Orkut, toda a receita das propagandas mostradas nestes aplicativos será dos seus criadores.
"Essa plataforma única também facilita a vida deles", disse Kraus. "Em vez de escrever vários códigos de programação pára cada rede, eles poderão criar um só e fazer ajustres para se adequar ao visual de cada site". O OpenSocial também trará benefícios para as próprias redes, que não precisarão desenvolver estes programas por conta própria. Os membros, por sua vez, ganham com uma variedade de novidades. Ficará a cargo dos próprios participantes escolher se incluirão estes programas em suas páginas e quais.
O Google também pretende anunciar em breve como funcionarão as parcerias entre o Orkut e a Globo.com e a Brasil Telecom para oferta de conteúdo dentro do site. Junto também deve ser revelada como funcionará outra parceria, desta vez mais técnica, com as empresas de tecnologia CIT e Guerreiros para criação de programas para oferta de conteúdo no site para outras empresas que não tem condições de criar os gasgets sozinhos.
O esboço de como será o desfile da Target dá uma idéia do que esperar
As roupas serão mostradas em imagens 3D sem modelos. O desfile se repetirá a cada 10 minutos, num total de 144 vezes - contra uma única vez dos desfiles tradicionais. A rede espera que 750 mil pessoas passem pelo local para conferir a novidade - e milhões de outras vejam pela internet com o bom e velho e-mail viral.
A tecnologia usada é de uma empresa chamada Musion e já foi aplicada em um evento da Virgin, como você pode conferir no vídeo abaixo. Antes de assistir, esperava algo meio tosco e com falhas na imagem. Quebrei a cara. É impressionantemente realista e dá uma noção do que a Target apresentará em uma semana. A técnica usa a projeção de imagens em alta definição em telas de alumínio para criar a ilusão.
Empresas como BMW, Land Rover, GM e Honda já usaram a tecnologia. A Fiat usuou no lançamento de um carro em que os clientes faziam versões customizadas do veículo no computador e podiam conferir a sua criação em três dimensões na sua frente instantes depois.
Agora imagine isso no nosso dia-a-dia? O custo da tecnologia não foi revelado, mas não levará muito tempo para que ela seja aplicada em outras coisas. Estamos mais perto de Guerra nas Estrelas do que eu pensava...
No último trimestre fiscal, o MySpace mostrou a sua primeira queda de audiência no seu quartel general, o mercado americano, depois de atingir um pico de 70,5 milhões de usuários em junho. Mas a rede social ainda é a mais popular do mundo com 110 milhões de mebros versus 67 milhões do Orkut e 49 milhões do Facebook. Ao mesmo tempo, os usuários do MySpace já passam menos tempo no site. Por mês, são 3h13, 20 minutos a menos do que os usuários do Facebook gastam nele. Esses números geram uma incerteza do mercado sobre se o site conseguirá manter a sua liderança. Por sua vez, isso afeta a a disposição de empresas pagarem para terem seus produtos e serviços em anúncios no site e, consequentemente, a sua receita com propaganda.
Mary Meecker: Brasil e Coréia do Sul são paraísos das redes sociais
Na última conferência Web 2.0, a analista Mary Meecker, da consultoria Morgan Stanley, citou o Brasil e a Coréia do Sul como dois paraísos das redes sociais porque a penetração delas nos dois países supera a dos Estados Unidos. É uma declaração de peso, já que ela é umas pessoas maios influentes do mercado americano. Segundo o Ibope, 68% do brasileiros que acessam a internet em casa são membros do Orkut. Não é para menos que outra dessas redes, a Last.fm, também anunciou que pretende vir para cá.
Até agora, o MySpace tem apenas 3% do público por aqui. A rede se movimenta no país desde setembro e já prepara a sua versão regional, assim como para outros países como Índia, Rússia e Polônia. Até agora, Émerson Calegaretti, diretor da rede no país, tentou amenizar o clima de concorrência: "A idéia é localizar o conteúdo da plataforma da cultura norte-americana para a brasileira. Não temos foco de competir com ninguém".
Emerson Calegaretti, diretor do MySpace no Brasil, já tem seu perfil no site
Conincidência ou não, o Orkut tem sofrido sucessivas mudanças nos últimos meses. Repaginou seu visual, permitiu disponibilizar vídeos e ter 100 fotos em cada perfil contra as 12 de antes, deu mais controle sobre quem deixa recados nas páginas e deixou visível as atualizações feitas para incentivar mais interação entre os usuários. Seria para enfrentar a concorrência? Acredito que sim, já que um dos grandes atrativos é o seu caráter multimídia e o grau de personalização da página.
Ao mesmo tempo, o MySpace caminha para se tornar um gigante de mídia e ser mais atraente com a criação de uma emissora de televisão pela internet e um site de videogames. E com o conglomerado NewsCorp do magnata americano Rupert Murdoch por trás, há muita dinheiro disponível para investimentos. Mas o site ainda luta para encontrar uma forma de mostrar anúncios sem espantar o público, algo que já vem ocorrendo ao colocar até nove propagandas por página.
Se a chegada do MySpace por aqui é uma tentativa de fazer do Brasil sua bóia de salvação, acredito que a estretégia não irá funcionar. Os brasileiros adoram o Orkut, têm um carinho com o site, a primeira rede social a cair no gosto do público por aqui e criar uma versão nacional justamente por isso. E o MySpace não é uma opção incrivelmente melhor para quebrar esse elo sentimental. Sua audiência vai crescer com a sua entrada por aqui? Certamente. Mas o Brasil vai salvar o MySpace? Provavelmente não.
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Atualização: a versão nacional do MySpace já está no ar. Clique aqui e confira.