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Rafael Barifouse, repórter de Época NEGÓCIOS, traz
aqui as últimas novidades do mundo da tecnologia e da internet
e suas repercussões na blogosfera.
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Assinantes ou anunciantes? A difícil relação entre os jornais e a internet
 O portal do New York Times abriu recentemente seu conteúdo para o público
A internet está mexendo com todas as indústrias tradicionais de mídia. Com os jornais não poderia ser diferente. Duas notícias recentes mostram que ainda não existe um modelo único. O New York Times anunciou recentemente que praticamente todo o seu conteúdo está disponível online. O jornal aposta na receita gerada pela propaganda para lucrar. Já o Wall Street Journal celebrou a marca de 1 milhão de assinantes do seu site e espera ganhar dinheiro com as mensalidades pagas pelos leitores. Mas Rupert Murdoch, o novo dono do jornal financeiro, já avalia a possibilidade de abrir o seu conteúdo.
Um estudo feito pelo economista da Universidade de Chicago Mathew Gentzkow publicado recentemente sugere que tanto as assinaturas quanto a propaganda são modelos viáveis. Mas que abrir o conteúdo faz mais sentido nos dias de hoje por causa do amadurecimento da propaganda online.
O economista analisa no estudo se o jornal americano Washington Post estaria perdendo leitores de sua edição impressa por conta da abertura do conteúdo do seu site. A princípio, o impresso e o online se complementam, já que muitas pessoas que lêem um, lêem o outro. Mas Gentzkow descobriu que isso era falso. Pessoas com acesso a banda larga tendem a deixar a o jornal de papel de lado. Quem lê dos dois jeitos, não o faz no mesmo dia. Estas pessoas, quando têm acesso ao site, não compram o impresso. Mas, quando não se conectam à internet, vâos às bancas.
 As novas gerações lerão jornal?
Aqui no Brasil, os jornais também testam modelos. A Folha de S. Paulo deixa o conteúdo produzido por sua equipe online aberto para todo mundo, mas a edição do dia fica restrita a seus assinantes e aos assinantes do portal UOL, com o qual tem um convênio. O Globo faz o mesmo. Já o Estado de S. Paulo deixa todo o seu conteúdo livre. E o Valor é praticamente todo fechado para assinantes.
Como bem revelou o estudo do economista americano, hoje em dia a propaganda online está cada vez mais eficiente. Foi-se o tempo em que anúncios na internet se limitavam à banners no topo das páginas e só. Links patrocinados, propagandas em vídeos e em redes sociais, marketing viral, sites de serviços e entretenimento patrocinados por empresas são alguns do exemplos de algumas das novas formas de se relacionar com o leitor, que assim como todos nós tende a cada vez mais rejeitar o modelo tradicional de propaganda eu-sou-melhor-que-meu-concorrente-me-compre.
Além disso, novas tecnologias permitem que a propaganda seja mais relevante para que a vê com base nos seus hábitos de navegação e características pessoas. E quanto mais relevantes, mais clicks elas geram e mais compras resultam daí. Hoje em dia, o conteúdo das páginas acessadas não é mais importante. O que vale é o contexto social do internauta.
Por isso, acho que a propaganda seria uma boa aposta para os jornais. Hoje em dia, a quantidade de informação na internet é tão grande que poucas pessoas estão dispostas a pagar para ter acesso a um site. Eu pelo menos não pago. E você? |
09/11/2007 |
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Facebook: social até na propaganda

Logo depois de comemorar a marca de 50 milhões de membros, o Faceboook revelou ontem o seu aguardadíssimo sistema de propaganda. Assim como o próprio site, os anúncios terão um forte caráter social. Empresas poderão criar espaços em que os membros da rede poderão fazer comentários e discutir assuntos pertinentes às marcas. A cada entrada de um novo membro nestas comunidades, os amigos desta pessoa receberão um aviso que poderão vir com anúncios acoplados.
Os usuários também poderão compartilhar o que compraram recentemente na internet, como um item do eBay, por exemplo. É uma tentativa de tornar viral a propaganda da rede social e dar credibilidade a ela ao dizer que outras pessoas compraram certa coisa, a boa e velha recomendação online.
O Facebook, que não é bobo nem nada, entrou nessa já com 60 parceiros de peso, como a Blockbuster, a rede de TV CBS, Coca-Cola, Microsoft, Sony Pictures Television and Verizon Wireless. Além das propagandas, estas companhias terão acesso ao banco de dados dos usuários para apresentar os anúncios de acordo com seus interesses e características pessoais.
 Mark Zuckerberg rindo a toa com a nova marca de 50 milhões de membros e seu sistema inovador de propaganda social-viral
Uma preocupação é dar a anunciantes um acesso muito amplo às informações pessoais dos membros. Pouquíssimas pessoas sabem o quanto estão revelando sobre si mesmas ao navegar na internet. Pior: não há como escapar desse monitoramento ou dizer que não quer a divulgação de suas informações.
Mas a questão que ficou para a maioria das pessoas é quantos os membros da rede social estão dispostos a aturar tanta propaganda. Espera-se que em breve mais de 100 mil páginas de empresas e marcas sejam criadas. Além disso, quem tem muitos amigos será soterrado por uma avalanche de avisos como “Marcos é fã da Coca-Cola Zero”. Resta saber a quem interessa saber isso.
O Facebook diz estar atento às reações à novidade. É bom mesmo. Ao anunciar a novidade, Mark Zuckerberg, presidente da empresa, disse que ainda se está apenas no começo da propaganda online e que o dia de ontem seria um marco histórico para a área. Se não tomar o cuidado devido, será na verdade um marco do começo do fim da rede social mais promissora do momento. |
07/11/2007 |
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Nova aliança catapulta as ações do Google, de novo

Na semana passada, as ações do Google atingiram o patamar inédito de US$ 700 com o anúncio do OpenSocial, uma aliança entre quatorze redes sociais para a criação de um padrão único para criação de programas independentes para estes sites. Ontem, a empresa revelou outra aliança, a Open Handset Alliance. Como resultado, as ações da empresa subiram 10% e já são comercializadas por US$ 737. Tendo em mente que no início de outubro os papéis da companhia chegaram a US$ 600, uma pergunta é inevitável: existe um limite para o preço das ações do Google?
A novidade anunciada ontem foi recebida com grande entusiasmo apesar de, por enquanto, não ter dinheiro entrando em caixa. A parceria com as empresas de telefonia para a criação e inserção de programas de computador feitos por desenvolvedores independentes só deve dar resultado em alguns meses. E, no começo, não haverão anúncios, pelo menos não em massa como já vemos na internet. Mas com uma maior variedade de programas mais úteis e fáceis de usar - e o consequente aumento da navegação na internet pelo celular -, o potencial de isso virar uma grande fonte de receita é enorme.
Foi a isso que os investidores responderam: o potencial da iniciativa. E também ao seu impacto no mundo da telefonia celular, bastante fechado para desenvolvedores independentes até hoje. A expectativa é de que com a possibilidade de baixar programas para o celular sem tantas restrições, as inovações cheguem mais rápido ao consumidor final, que testemunhará uma revolução na sua experiência diária com o mais indispensável dos aparelhos do século 21.
Como o Google parece ser capaz de lançar novidades - sejam novos serviços, programas ou alianças com outras empresas - a cada semana, a primeira vista parece ser possível que realmente o valor das suas ações não tenha limites. Mas segundo Alexandre Teixeira, editor-executivo de Época NEGÓCIOS e nosso consultor para assuntos financeiros nas horas vagas, o Google colocou poucas ações no mercado até hoje.
 Ações do Google: valorização de mais de US$ 200 em dois meses
Aí vale a lei da oferta e da procura: quando menos disponível, mais alto o preço. Teixeira acredita que, quando o Google colocar novas ações para captar recursos - e eles provavelmente vão precisar desses recursos para manter o seu ritmo de microrevoluções -, o preço cairá. Também há interesse do Google em ter um preço menor, pois com o valor tão alto, fica mais difícil vender estes papéis em horas de necessidade, o que afastaria investidores.
Quando isso vai acontecer? Não se sabe. Por enquanto, fica a expectativa sobre esta trajetória meteórica do valor das ações do Google - custavam apenas US$ 85 em 2004 - e o arrependimento, muito arrependimento de não tê-las comprado quando ainda estavam baratas. |
06/11/2007 |
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Uma bolha 2.0 à vista?

O acordo entre o Facebook e a Microsoft no fim do mês passado deixou muita gente ressabiada. Avaliar em US$ 15 bilhões um site de relacionamentos criado há apenas três anos e que ocupa só o terceiro do ranking com 49 milhões de membros pareceu exagero - o MySpace ocupa a primeira posição no ranking e foi comprado por US$ 580 milhões em 2005. Outro indício recente foi o eBay ter reconhecido que os lucros com o serviço de telefonia pela internet Skype demorou demais para dar lucro. Esses casos só deram munição para quem vê uma bolha da internet 2.0 despontar no horizonte.
A bolha da internet estourou no ano 2000, quando os lucros das empresas pontocom não corresponderam ao lucros gerados por elas. O que se viu foi uma secessão de falências do que seria o futuro da economia. O cenário de agora é um pouco diferente, como me explicou o empresário John Battelle, presidente da Federated Media, uma agência de blogs. Segundo Battelle, o calcanhar de aquiles dos negócios de antes era que eles tinham as suas ações supervalorizadas no mercado e não correspondiam a esta expectativa com o desempenho no mercado. "Podemos ter uma bolha de um excesso de empresas apoiadas por fundos de capital de risco, mas isso não significa que isso afetará a economia por que neste modelo já se prevê que a maioria dessas empresas não terá sucesso", disse Battelle.
 John Battelle: se uma nova bolha surgir, não terá o mesmo impacto da primeira
Mas nem mesmo as firmas de capital de risco, que investem dinheiro nessas empresas para fazê-las crescer, se valorizarem para vender a sua parte no futuro, são um porto seguro para a internet 2.0. O blogueiro Tim Foremski, do Silicon Valley Watcher, postou recentemente sobre um encontro seu com Randy Komisar, sócio da Kleiner Perkis Caufield & Byers, uma das maiores firmas de capital de risco do Vale do Silício, nos Estados Unidos. "Não temos qualquer interesse em financiar empresas de web 2.0", disse Komisar. Ele contou também que em um encontro com Battelle lhe disse que o termo web 2.0 ficou batido e não gera o mesmo entusiasmo de antes. E, segundo o blogueiro, outros da área de Komisar têm a mesma opinião.
O empresário de mídia Tim O'Reilly foi rapido no gatilho e respondeu prontamente ao blogueiro. "Ou a Kleiner Perkis foi cativada pela euforia em torno do fim da web 2.0 ou não consegue entender o seu verdadeiro significado, ou mais provavelmente estão usando um outro termo para falar da mesma coisa", escreveu. O'Reilly criou junto Battelle o termo web 2.0 e reacenderam em suas carreiras em torno da crescente popularidade do que ele representa. Também ganharam muito dinheiro organizando a conferência mais célebre da área e com conferências pelo mundo para propagar os benefícios da revolução digital. Portanto, já era de se esperar que não partiria deles a primeira pedra.
 Tim O'Reilly: web 2.0 ainda tem muito a render
Um dos que assumiu essa função foi o blogueiro Steve Rubel do MicroPersuasion, especializado em marketing digital. Rubel foi atingido em cheio pela primeira bolha, quando trabalhava para empresas pontocom recém-criadas. Ele agora vê se repetir o mesmo cenário de antes. "Muitas pessoas que eu conheço, amo e respeito estão exaltando cada site novo. Ninguém mais tem um olhar crítico. A festa pontocom sem fim estão de volta, assim como as incontáveis conferências que regurgitam os mesmos paradigmas dos últimos dez eventos. Sejamos francos: nós estamos bêbados e é por causa do dinheiro", escreveu ele.
E aí basta olhar para o valor de US$ 15 bilhões do Facebook para ver que ele tem um pouco de razão. Não ficou convencido? E se eu te contar que a ação do Google bateu a casa dos US$ 700 na semana passada, menos de um mês depois de ter atingido a marca do US$ 600? Sim, o Google é uma empresa sensacional à frente de um movimento inédito, mas existe só há nove anos e fatura US$ 10 bilhões. Compare com a Microsoft, uma empresa de 32 anos de estrada e que fatura cinco vezes mais, e o preço de sua ação a US$ 35 para se ter uma idéia de como a euforia tem um papel importante nisso tudo.
Rubel está certo. Falta bom senso atualmente. Toda nova empresa que aparece será o futuro do mercado. Muito dinheiro tem sido investido na internet 2.0 e poucas dão o retorno esperado - e necessário. Mas não acho que a teremos uma bolha com o mesmo impacto de antes. No máximo, uma correção do mercado e dos níveis de endorfina dos investidores. Já se fala no surgimento de uma nova internet, que com uma certa dose de inteligência artifical será capaz de entregar conteúdo mais relevante. Isso indica uma evolução do que hoje chamados de web 2.0. Hoje, as tecnologias e paradigmas ali presentes já afetam a nossa vida como um não, não só quando estamos conectados na rede. Estamos entrando no mundo 2.0. E, nele, ser chamar a atenção das pessoas vai ser um pouco mais difícil. |
05/11/2007 |
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