Rafael Barifouse, repórter de Época NEGÓCIOS, traz aqui as últimas novidades do mundo da tecnologia e da internet e suas repercussões na blogosfera.

 
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YouTube + anúncios = confusão

Na quarta-feira passada, o YouTube passou a veicular anúncios em seus vídeos com o serviço InVideo. Apesar de atingir uma pequena parte do seu imenso catálogo, a medida tem gerado reações inflamadas de fãs e inquietação no mercado. A propaganda cobre 20% da parte inferior do vídeo por 10 segundos e desaparece se não for clicado pelo usuário. Ao clicar, pode-se ver o anúncio completo.

O
Computerworld e o IDG Now trazem matérias sobre a reação do público a um post do blog oficial do site que anuncia a novidade. A grande maioria dos mais de 500 comentários seguem todos a mesma linha: não gostamos da idéia. No espírito do próprio Youtube, usuários até fizeram vídeos para reclamar dos anúncios, como você pode ver abaixo:



Diante das reações, o Google, dono do YouTube, esclareceu as regras dos anúncios na sexta-feira. Shashi Seth, gerente de produtos do site, explicou que apenas os usuários que assinarem o InVideo verão anúncios nos vídeos. Até agora, o retorno obtido pelo site indica que o número de pessoas que clicaram para assistir a um anúncio do InVideo foi de 5% a 10% maior que o número de cliques em um banner padrão.

Enquanto isso, o mercado especula o impacto da inclusão dos anúncios. A analista Mary Meeker, da Morgan Stanley, fez na quinta-feira a projeção de que as propagandas aumentariam em US$ 4,8 bilhões a receita do Google e em US$ 720 milhões o seu lucro com base na inserção de anúncios em 20 milhões de visualizações de vídeos. Ao estranhar o valor surreal, o blog Silicone Alley Insider refez as contas e descobriu um erro. O modelo do YouTube cobra US$20 a cada mil visualizações de vídeos com anúncios. A analista tinha considerado este valor para a visualização um vídeo. Tirando três zeros dos seus resultados, o impacto nas contas do Google seria de US$ 4,8 milhões a mais em receita e US$ 720 mil em lucro.

Seja qual for resultado das contas, a idéia por trás do InVideo é a mesma: transformar o YouTube em um site rentável. Quase toda a receita do Google vem de propagandas e a empresa cada vez mais direciona seus esforços nesta direção. Quando comprou o site de vídeos, a companhia foi criticada por ter pago muito alto por algo que não dava dinheiro. Esta é a resposta da empresa.

Mas as mudanças no YouTube não páram por aí. Como lembrou o Futuro.vc, estréia no próximo mês uma nova função que permitirá aos donos dos vídeos pedir ao site a extração de uma impressão digital do vídeo. Assim, o envio de uma cópia poderá ser bloqueado, segundo a empresa. É mais uma arma contra a publicação de conteúdo sem o pagamento de direitos autorais. É um grave problema do Google, que está sendo processado pela Viacomm no valor de US$ 1 bilhão por esta razão.

Não me incomoda a inserção de propaganda. É uma visão purista demais pensar que o YouTube nunca tentaria inserir anúncios em seu modelo. É basicamente de onde vem o dinheiro para as empresas de mídia; e o que é o YouTube senão uma empresa de mídia? O Google foi sensato de fazer uma transição gradual para impedir uma debandada dos usuários, mas deve continuar a expandir a novidade com o tempo. É inevitável.

Ou melhor: é inevitável? Você deixaria de acessar o YouTube se os anúncios fossem incluídos nos vídeos?

27/08/2007

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Steve Jobs para todos os gostos


Será que o verdadeiro Steve Jobs (esq.) lê o blog do Falso Steve Jobs (dir.)?

Steve Jobs, o presidente da Apple, realmente é um popstar de primeira grandeza. Ele voltou à empresa para tirá-la da beira do abismo da irrelevância. De quebra está revolucionando a indústria da música com o iPod e o iTunes. Resultado: milhares de fãs, dentro e fora do mundo corporativo. Não é para menos que o gênio do Vale do Silício, epicentro da inovação dos Estados Unidos em plena Califórnia, entrará para o Hall da Fama do estado, como foi noticiado no blog
Apple 2.0. Na galeria já figuram celebridades como o eterno cauboi John Wayne, o jogador de golfe Tiger Woods and Elizabeth "Olhos Púrpura" Taylor. A cerimônia será de entrega do título será no dia 15 de dezembro. E o melhor: quem fará as honras? O ator/governador/exterminador do futuro Arnold Schwarzenegger!

Enquanto isso, a contra-parte virtual de Jobs está de volta à ativa. No The Secret Diary of Steve Jobs, Daniel Lions, editor sênior da revista Forbes bloga como se fosse o verdadeiro presidente da Apple. O jornalista desfrutava de um reconfortante anonimato até ser descoberto pelo New York Times no início do mês. Agora apadrinhado pelo site Forbes.com, continua a postar regularmente. O blog Endgadget fez uma pesquisa para avaliar a popularidade do Falso Steve Jobs depois da revelação:

41,9% não liam o blog

25,1% sequer tinham ouvido falar do blog

22,1% disseram que ainda lêem o blog

7,4% declaram que saber quem escreve tirou a graça do blog

3,5% nem sabiam que não mesmo o verdadeiro Steve Jobs que escrevia

Me incluo em uma categoria que não existe: continuo a ler o blog, mas quando havia o mistério me divertia mais. Imagino que para o autor também devia ser mais legal, já que podia escrever sem ter medo de colocar a boca no mundo.

E você, conhecia o Falso Steve Jobs? Acha que o verdadeiro merece entrar para o Hall da Fama da Califórnia?

23/08/2007

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Frank Zappa, o visionário



O burburinho em torno da música digital é cada vez mais forte. Fala-se do crescimento dos downloads pagos impulsionado pelo caráter revolucionário do iPod. Gravadoras criticam a troca ilegal de arquivos entre usuários ao mesmo tempo em que tentam vender suas músicas na internet. Mas poucos sabem é que tudo isso que vivemos hoje é uma idéia antiga que foi se desenvolvendo aos poucos. Um dos primeiros a pensar na distribução de músicas pela rede mundial de computadores foi Frank Zappa (1943-1990).

Achei no blog
Trabalho Sujo, do Alexandre Matias, uma referência a um documento divulgado pelo músico americano ainda em 1983 com o título "Proposta Para a Substituição da Mercadoria Disco". Nele, Zappa criticava as gravadoras e seu excesso de preocupação com o suporte, no caso o LP, em vez de se voltar para música propriamente dita. Nada revelador ate aí, já que Zappa era um crítico insistente de tudo que podia ser criticado, como bem diz Matias. O dado impresisonante - e que revela o caráter visionário do músico - está em um trecho do meio para fim. Escreve Zappa: "Propomos adquirir o direito de duplicar digitalmente o que há de melhor nos catálogos das gravadoras, reuní-los em uma central de processamento e disponibilizá-los via telefone ou tevê a cabo". Em 1983, quando o CD ainda era um produto fresquinho e considerado revolucionário, Zappa ia além e idealizava o que vivemos tão intensamente hoje em dia, 24 anos depois.

De críticas vazias de sentido e cheias de raiva já estamos todos cansados. Por isso me impressionei com a capacidade de Zappa de, ao mesmo tempo em que falava tão mal do modelo vigente da indústria da música na década de 80, tivesse a genialidade de pensar tão a frente.

Troquei emails com o Matias e ele me passou a sua referência original. Clica aqui para ler o texto completo, retirado do "The Real Frank Zappa Book", publicado em 1988.

Para saber mais sobre a vida e a obra de Frank Zappa, dá uma lida no seu artigo na Wikipédia, bem completo e cheio de referências (já que a credibilidade do conteúdo da enciclopédia anda ainda mais em baixa ultimamente).

22/08/2007

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CD: soberano até quando?



Este ano o CD completa 25 anos. Mais precisamente, o seu aniversário foi no dia 17 como a Philips informou ao
Edgadget. O primeiro CD a ser fabricado em escala comercial foi o disco The Visitors, do grupo uberbrega Abba. Mas os pais da criança, Sony, Sony/CBS, Philips e Polygram, só fariam o anúncio formal ao mundo quase duas semanas depois, no dia 31, em Tóquio, como lembra o Meio Bit. E só chegariam às lojas em novembro do mesmo ano, com 150 títulos disponíveis. "Em 1983 já eram 1000. Em 85 o Dire Straits foi escolhido para promover o formato, lançando seu álbum Brothers in Arms como o primeiro inteiramente digital", explica o blogueiro Carlos Cardoso.

O aniversário do CD chega em um péssimo momento para ele. Nos Estados Unidos, o maior mercado de música do mundo, as vendas caíram 20% no primeiro trimestre de 2007 em comparação com o mesmo período do ano anterior. No Brasil, foi ainda pior: 25% no ano passado. Segundo a Associação Brasileira de Produtores de Discos. Enquanto isso, a explosão da música digital continua. Os downloads pagos aumentaram em 85% em 2006. Cada vez mais surgem lojas de músicas em mp3. As gravadoras já não estão no modo caça às bruxas lutando contra o mp3 e os programas de downloads como o finado Napster, vítima da compreensão da indústria da música em relação à sua própria evolução.

Assim como o CD foi uma revolução ao superar o LP por sua praticidade, a música digital está ganhando força como o próximo formato de música do mercado - tentaram o mesmo com o minidisc sem sucesso. Os downloads pagos representam ainda só 11% do total de músicas vendidas - em 2004 eram apenas 2%. Espera-se que este percentual continue a subir no mesmo ritmo nos próximos anos. Ainda é cedo para dizer que o CD está morto, mas o seu declínio é certo. Levou 34 anos para ser superado pelo CD. Quanto tempo falta para o CD perder a sua soberania?

21/08/2007

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A batalha dos padrões

Existe uma guerra sileciosa em curso. De um lado está a Microsft. Do outro, IBM, Google e Sun. No meio, a adoção de um padrão para uma linguagem mundial para arquivos de textos, planilhas, apresentações de slides, bancos de dados, manipulação de imagens etc. A idéia é acabar com a história de só se poder abrir um documento em um programa se o documento tiver sido produzido nele. Por trás, está a tentativa de enfraquecer o monopólio da Microsoft, que com seus padrões proprietários (leia-se: não são divulgados para outros desenvolvedores) domina 92% do mercado de aplicativos.

A Microsft sabe que a tendência de programas de computador de códigos abertos é irreversível. Neste modelo, desenevolvedores de todo o mundo tem acesso ao DNA de um programa e podem trabalhar para melhorá-lo. É uma colaboração em escala mundial que acelera o desenvolvimento destes programas e reduz custos. Justamente por estar ciente disso, a empresa de Bill Gates quer estar a frente da definição deste padrão universal de documentos. Sua investida se chama Open XML. Mas a Microsoft tem encontrado problemas.

A Organização Internacional para Padronização (OIP) é a entidade responsável por reconhecer um padrão. Para isso, faz consultas em vários países. Aí é que o tempo fecha para a Microsoft. Estados Unidos, China e África do Sul já se manifestaram contra o Open XML. Mas a empresa ainda não está disposta a perder esta batalha, como revela o site do
BrOffice, um pacote programas de código aberto criado na Unicamp. O site fala sobre a pressão feita pela Microsoft nos Estados Unidos.

Enquanto isso, cada vez mais pessoas e organizações se unem em torno do padrão rival: o ODF. Este padrão já foi aceito pela OIP. A Microsoft o rejeita ao dizer que ele não respeita o legado da empresa. Traduzindo: ao usar um sistema baseado no padrão ODF para abrir um arquivo produzido no sistema da Microsft, há perda de conteúdo. Mas o ODF tem ao seu lado empresas de peso como IBM, Sun e Google. Em uma reportagem do Valor de hoje, o diretor sênior de estratégia para as Américas da Sun ataca: "O Open XML é que ele tem problemas técnicos e não está pronto".

O último a se juntar a turma foi Mark Shuttleworth, o fundador do Ubuntu, sistema operacional de código aberto concorrente do Windows e do Linux (saiba mais). O BrLinux traz hoje parte da declaração feita ontem por Mark em seu blog pessoal. Ele convoca pessoas em todo o mundo a entrar em contato com as organizações de seus países responsáveis por definir padrões e pressionar pela recusa do Open XML. "A Microsft rejeita o ODF porque quer que a sua própria criação seja definida como padrão. A empresa tem uma papel importante para muitos governos e eles podem ter medo de votar não e não poder trabalhar com ela. Mas a Microsft adotará um padrão unificado se for mandada uma mensagem clara de que isso é necessário", escreve.

Se isso acontecer, a história se repetirá. No início da internet, a Microsoft pressionou pela adoção das extensões usadas no seu navegador Internet Explorer. A empresa acabou cedendo e participando do consórcio W3, que definiu o HTML e o CSS como os formatos abertos para documentos de internet. Sem eles, não seria possível navegar livremente pela rede. Antes de acessar um site, precisaríamos saber em que formato ele foi criado. Imagine a confusão...

No Brasil, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é a organização responsável por padronização. Amanhã haverá uma reunião para definir se o Brasil aceita ou não o Open XML. Esta posição será levada em conta juntamente com a de outros países quando a OPI se reunir para decidir sobre o padrão da Microsoft.

20/08/2007

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